13 janeiro 2011
12 novembro 2010
Tom
Tom era inteligente o suficiente para ter uma vida incômoda, idéias confusas e, justamente por isso, às vezes ficava inerte, perdido. Era um cara simples, de bom coração, uma pessoa de fácil convivência. Ainda assim, era louco. Um maluco romântico que gostava de poesia; soltava uma gargalhada hilária quando ficava bêbado.
Tenho lembranças interessantes do meu amigo. Ele já me convenceu a parar de correr na pista da orla, no meio do meu horário de ginástica, para tomar cerveja em um lugar chamado "Favelinha". Já me convenceu a escrever (pelo menos tentar) poesia, que é algo que não domino de jeito nenhum, sequer gosto. Já me convenceu a aparecer quando eu andava sumido. A andar descalço com ele na areia da praia com um corte gigante na sola do meu pé. Tom já me convenceu de muitas coisas que eu só fiz porque ele me induziu a fazer. Tinha facilidade em ser convincente, sem nunca ter se esforçado para ser assim.
Fico pensando se ele foi cedo demais, mas ao mesmo tempo, o imagino sentado comigo me convencendo que não, que não existe “cedo demais” ou “tarde demais”. É apenas acaso, um acaso óbvio, mas que não costumamos pensar no dia a dia. Não existe nada mais óbvio do que sofrer um acidente fatal pilotando uma motocicleta. Só que quando estamos em cima de uma delas, é a última coisa que a gente pensa.
“Tom não tinha que morrer desse jeito”, foi o que pensei quando a ficha realmente caiu. Mas como é que deveria ser? Existem formas de morrer tão melhores assim? Isentas de dor? Será que ele sentiu algo ou foi instantâneo?
Tenho me feito essas perguntas buscando a certeza de que ele está bem, mesmo que ele não esteja em lugar nenhum. Vou aguardar ele invadir o meu sonho para me convencer mais uma vez.
25 março 2010
Espero que o dr Molion esteja certo quando ele afirma que o planeta não está aquecendo, e sim esfriando.
14 fevereiro 2010
26 janeiro 2010
Impaciência
Tem o tipo que acha que não erra, mas sim, acerta pela metade. E tem o tipo que acha que nunca erra, é sempre mal interpretado pela ignorância alheia.
Na boa, gente é muito chato.
25 dezembro 2009
Item insubstituível
Mesmo que raramente eu me sinta solitário, certas ausências conseguem passar uma sensação de abandono incrível. É o que chamo de item insubstituível; eu já tinha noção de qual seria o meu, mas ainda assim, fico surpreso com a apatia que me causa a ausência da minha mulher.
Uma simples viagem, apenas vinte dias de ausência. Teoricamente é uma bobagem, mas na prática, as sensações infanto-juvenis de carência, isolamento e saudade, são tão bobas quanto reais.
Eu realmente sinto muita falta de Paula, sua ausência não me causa mal, mas me tira a empolgação para agir.
Bem, isso é amor, não é?
15 dezembro 2009
Rumo ao céu
Já consigo até sentir a brisa do vento e observar a corzinha azul do céu.
19 julho 2009
Madrugadas Chuvosas
A noite dá uma aula de sons estranhos porque na madrugada chuvosa dá para fazer uma audição atenciosa do que não se é possível prestar verdadeira atenção durante o dia. Dá para obter respostas, formular perguntas, ter medos, superar os mesmos medos, planejar ou simplesmente ouvir o próprio corpo trabalhar.
Tem gente que procura um psicólogo, há quem busque uma religião, tem aqueles que fazem yoga, existem os que não fazem absolutamente nada e apenas aguardam um suposto ser superior mandar respostas e findar os tormentos da existência. E poucos se tocam que uma simples madrugada chuvosa pode resolver inúmeros problemas.
24 abril 2009
Vulgar Display Of Power
Ontem de noite ouvi Pantera depois de muitos anos e percebi que o título desse álbum tem muito mais a ver comigo do que um dia eu poderia imaginar.
02 abril 2009
Rumo ao Inferno
Felizmente serão apenas dez dias, que é uma quantidade de tempo razoável para amar a metrópole. Se demorar um pouquinho mais, eu percebo porque nem o Diabo fica muito por lá. Aliás, o “coisa ruim” tem vários súditos na cidade, alguns inclusive são amigos meus.
Como todo bom inferno, muito rock and roll marcará presença na minha estadia lá; pelo menos, me planejei para isso. Como imagino que verei – e viverei - muitas coisas surreais na Sodoma e Gomorra corintiana, levo meu laptop para registrar o que eu conseguir lembrar; certamente a minha amnésia alcoólica deverá atacar em algum momento.
Rumo ao inferno.
01 fevereiro 2009
Para quem não enxerga, tudo é entretenimento...
Angela Vidal, uma repórter aparentemente inexperiente e o cinegrafista de um programa de TV passam uma noite em uma sede do corpo de bombeiros. Depois de se enturmar com alguns dos bombeiros, jogar basquete, fazer apostas noite adentro e ouvir cantadas baratas, Angela começa a sentir tédio e demonstra certa frustração por não haver ação para mostrar ao seu público. Quando finalmente ocorre uma chamada, ela e o cinegrafista partem junto com o carro de bombeiros para checar a ocorrência, que segundo os próprios bombeiros, deveria ser alguma chamada médica. A partir daí, o filme brinda o telespectador com uma viagem ao terror profundo, como poucas vezes foram vistas no cinema.
Refilmagem do longa espanhol “REC” (2007), “Quarentena” é uma mistura da “Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) com “Epidemia” (Outbreak, 1995).
O filme é assustador por possuir uma história completamente plausível. Mexe com medos extremamente profundos da mente humana como medo do escuro, claustrofobia e hipocondria. Não há como não destacar a interpretação fabulosa de Jennifer Carpenter, que já havia me impressionado em “O Exorcismo de Emily Rose” (The Exorcism of Emily Rose, 2005). Essa garota certamente ainda não recebeu os méritos merecidos pelas suas atuações assombrosas.
Ouvi algumas pessoas falarem que a história do filme é ridícula. Acho incrível isso, pois não há nada mais lógico e óbvio do que os acontecimentos que se passam nesse longa metragem. É claro, se trata de um filme americano, existem exageros estéticos, mas nada disso compromete o nível de tensão muscular que esse filme leva a quem está assistindo. Vi alguns saírem do cinema no meio da exibição, e tenham certeza, não foi por tédio.
Para que ainda não viu, um conselho: pesquise um pouco sobre o vírus da raiva e epidemias, antes de assistir o filme. Assim você não será arrogante o bastante para achar que tudo o que existe se resume no que nós vemos na nossa vida enclausurada de cidade grande. A história desse filme não é ridícula, mas de certa forma, mostra o quando nós podemos ser ridículos.
27 novembro 2008
Uma taça de vinho e o nariz empinado de Paula
Quando ela acorda, se espreguiça igual a um gato, demora para se situar onde está e demora mais ainda para encorajar-se a levantar. E esse é um dos momentos mais deliciosos porque é onde o seu cheiro infantil e ao mesmo tempo erótico marca enorme presença.
Quando ela demora em finalizar os trabalhos de design mais simples ou para montar um roteiro fotográfico, percebo o talento e a sofisticação do seu olhar diante da suposta realidade; a demora é um cuidado para encontrar a melhor forma de realizar.
Quando ela se revolta com as artimanhas do mercado capitalista do mundo, inicialmente eu penso que ela é ingênua, mas logo depois percebo que é o seu caráter inquestionável sentindo dificuldades em suportar as coisas que os “não ingênuos” consideram padrões comportamentais.
Quando ela julga algo ser belo, eu normalmente concordo de imediato, porque ela própria é feita de uma beleza desconcertante, principalmente sendo observada em detalhes.
Quando ela chora, é momento que eu tenho total consciência de quanto a amo, porque é o esse amor bilateral que traz o seu sorriso de volta.
Quando ela fala sobre a nossa história cheia de inacreditáveis coincidências, eu descanso em paz no seu colo macio. E nesse momento eu posso morrer ali porque, seja lá para onde eu fosse, chegaria sorrindo.
Gostaria que a minha vida se resumisse em uma taça de vinho e o nariz empinado de Paula.
08 novembro 2008
Areia e Vento
Entende? É óbvio demais que “óbvio” é a vulgaridade lingüística que traduz opinião. A realidade do dia, mês, minuto, segundo ou ano, nada mais é do que a opinião de alguém(s).
07 outubro 2008
Náufragos
Em tese (tese particular): realizar é colocar a sua assinatura no mundo. Não necessariamente significa a prova que você existe ou existiu, para isso existe CPF e RG; mas sim que a sua existência não passou em branco, você serviu para algo. A realização pode não ter tido resultados financeiros, o que não diminui a importância da mesma.
Algo foi feito e alguém gostou. E foi você quem fez. Alguém melhorou – ou piorou – na vida por sua causa, saiu da inércia. Valeu a pena.
E para quem melhorou, o mérito é seu. Para quem piorou, o mérito também é seu, porque afundar inerte é opcional.
Todos os náufragos que eu conheci na vida afundaram porque ficaram inertes. E até hoje, não perceberam que morreram.
28 agosto 2008
O diálogo
Mesmo sendo um momento raro na vida de um monte de gente, dar ouvidos à própria respiração é um ato inteligente e interessante. Nas alterações do sopro, no silêncio antes do próximo intercalar, surgem inúmeras possibilidades; com alguma sorte, algumas respostas.
Engraçado é perceber que os órgãos falam. Conversam entre eles e conosco. Contam-nos coisas sobre a nossa personalidade, sinalizam falhas em nosso sistema, pedem cuidados em locais específicos.
Com a atual vida insana e com a tendência de piorar ainda mais, é muito bom parar um pouco e participar desse diálogo.
15 julho 2008
Do céu ao inferno, do inferno ao céu...
01 julho 2008
E daí?
Inferno astral é algo que costuma iniciar com a ansiedade para atingir uma meta e, posteriormente, um enorme desleixo se faz presente com esse objetivo. Os outros desejos então, nem se fala.
O que fazer quando o seu principal objetivo, mesmo estando prestes a acontecer, já não te empolga mais? “Nossa! Enfim vai acontecer”!
E daí?
07 maio 2008
Os sócios
Olhar e observar. Não procurar respostas, deixar que elas apareçam. Independente do tempo que leve, elas aparecem. Nem sempre são as respostas que a gente gostaria de ouvir ou perceber.
Sossegar e realizar o momento. Realização é o que está acontecendo. Um realizador pensa pouco porque está fazendo. E se quiser sentir-se realizado de verdade, é melhor chamar a vida para fechar uma parceria. Chame-a para uma sociedade. Enquanto você faz a sua parte, ela faz a dela. O lucro é dividido assim que o objetivo for atingido, aí fecham novo acordo e assim por diante.
Pode ser interessante substituir o tempo do planejamento pelo tempo de execução. Substituir as expectativas por realizações. Substituir as decepções pelo instinto. Afinal de contas, ontem não é mais e amanhã ainda não foi.
30 abril 2008
O importante é que só apareça luz
Vejo situações, assisto pessoas inseguras se descobrirem, assisto pessoas cometerem os mesmos erros, vejo a vida dar lições, vejo o óbvio passar desapercebido; eu olho nos olhos de quem não vale a pena para me certificar que realmente não vale a pena. Afinal, eu também repito erros.
Muita gente interpreta e julga atitudes alheias como se esses dois atos fossem mudar alguma coisa. O julgado não vai mudar pela força – ou ausência de força – da análise alheia. E o juiz perde o seu precioso tempo e a oportunidade de analisar a si próprio.
Juízes são ineficazes. Os poucos amigos, esses sim, conseguem fazer o que os juízes tentam incansavelmente. Amigos utilizam amor e se colocam junto, como auxílio para o momento pesado da destruição dos mitos. Os magistrados apenas julgam, batem os seus martelos e se retiram quando deveriam se ocupar com a própria angústia, no preto, onde a resposta dessa dor própria eles não procuram por covardia ou arrogância; os dois juntos, talvez.
Aparentemente, os juízes são vítimas. Só aparência. As pessoas costumam adorar os juízes, desde que só os conheçam em território plural. A solidão é obscura, para os homens de preto não se pode mostrar nada a partir daí. O importante é que só apareça luz.
18 abril 2008
Que venha com força, mas que faça movimentar...
Sempre preferi dores intensas e mais rápidas, do que pequenos incômodos que se prorroguem pela vida. As intensas muitas vezes acordam a gente para muitas coisas. As que se prorrogam tiram a graça, as cores e o humor da vida.