08 junho 2007
Vazio
E sempre que estiver longe da solidão, esquecerá de observar a si mesma. Acaba sendo informação em demasia, e isso atrapalha. Fugir do silêncio analítico só adiará algo que inevitavelmente vai aparecer; existe falta de opção nesse caso, o que ajuda na decisão. A resposta será unitária. Os pesos internos retardam as curas porque com a presença deles os movimentos se tornam mais devagar. Quanto mais pesos forem retirados do interior e dissecados, menos estática se torna a condição como ser humano. Com essas lacunas livres, as dores se espalham e perdem o poder de concentração deixando aberto o espaço e a coragem para as entregas.
31 maio 2007
Proibições
Impossibilitado de beber, de fumar coisas lícitas ou não, de comer qualquer coisa que não seja líquida ou pastosa, de engolir a própria saliva, de falar, até de transar. Sem apetite algum em virtude dos efeitos de um antibiótico “bomba atômica” que uma médica que se diz minha amiga insiste em me fazer tomar; e eu não tomava remédio algum há mais ou menos dois anos e meio. Não posso falar alto, não posso ficar tomando vento forte, não posso tomar chuva – coisa que eu adoro. Não posso ensaiar o caralho do meu roteiro de um projeto importante que já está mega atrasado em virtude de eu não poder fazer nada há quinze dias. Não agüento mais ouvir sermões de meus amigos que insistem em me lembrar que eu sou um mortal e parar de achar que sou super homem. Não sei para onde mandar tanto tesão acumulado, não sei como me livrar da insistência da minha mãe para que eu coma – porra, eu não tenho fome, vou fazer o quê? Tudo que eu como forçado me enjoa; até ovo, que eu adoro, está me dando náuseas só de olhar.
Como tudo na vida tem o seu lado bom, estou quase com o corpinho daqueles caras que fazem propaganda das cuecas Calvin Klein (é assim que escreve?). Cheguei a voltar a ganhar fã da minha barriga – tinha um bom tempo que eu não sabia o que era ter alguém admirando essa parte do meu corpo.
Já ouvir falar muito na tal da amidalite, mas nunca imaginei que isso doía tanto. Fora o fato de que quase fudeu o meu ouvido esquerdo. Aliás, para quê servem as amídalas? Chamou tanto à atenção da médica a situação “banheiro químico de carnaval” que a minha garganta se encontrava que ela arranjou uma camerazinha e bateu umas três fotos da pobrezinha; isso para usar como exemplo em suas aulas. Lindo, né? Enfim... Para o inferno com essa porra de amidalite.
Como tudo na vida tem o seu lado bom, estou quase com o corpinho daqueles caras que fazem propaganda das cuecas Calvin Klein (é assim que escreve?). Cheguei a voltar a ganhar fã da minha barriga – tinha um bom tempo que eu não sabia o que era ter alguém admirando essa parte do meu corpo.
Já ouvir falar muito na tal da amidalite, mas nunca imaginei que isso doía tanto. Fora o fato de que quase fudeu o meu ouvido esquerdo. Aliás, para quê servem as amídalas? Chamou tanto à atenção da médica a situação “banheiro químico de carnaval” que a minha garganta se encontrava que ela arranjou uma camerazinha e bateu umas três fotos da pobrezinha; isso para usar como exemplo em suas aulas. Lindo, né? Enfim... Para o inferno com essa porra de amidalite.
07 maio 2007
Por Trás das Cortinas - Série 1
Fui caminhando em ritmo acelerado, não era possível ser mais rápido naquele momento. Porra, eu tinha acabado de acordar, a lerdeza ainda era o ponto mais forte da minha personalidade. Espera aí... É que tem uma porra de um cachorro aqui que ta achando que a minha perna é uma fêmea... O canino tá viajando que pode comer minha perna direita... Comer no sentido sexual mesmo... Sai daqui, caralho!
Voltando ao que eu estava tentando dizer: eu caminhava no máximo de aceleração possível. Meu corpo ainda esquentava. Uma pena que eu não tive tempo de me alongar um pouco, ajudaria bastante. Apareciam pessoas bem estranhas no caminho. A primeira delas que realmente chamou a minha atenção foi uma senhora idosa vestida de bombeiro fumando um cigarro de haxixe. Eu a cumprimentei e ela me ofereceu uma tragada. Não aceitei, agradeci e segui em frente. Quando eu estava distante dela, ouvi um grito.
- Me chamo Ângela, querido, o que precisar por aqui me fale, ok? Principalmente se for conselhos, ta?
- Ta Ângela! Prazer e coincidência! Me chamo Angelo também! Por que a senhora está vestida de bombeiro? Tem alguma festa à fantasia por aqui por perto?
- Não meu querido... É porque nesse lugar onde vivo, tudo é imprevisível! Quando você menos espera, pega fogo em alguma parte dele! Mas eu amo o lugar que eu vivo. Ele é real, verdadeiro... Por isso é tão instável...
Segui e não dei muita atenção para a coincidência... A estrada era exótica e depois de mais uns vinte minutos andando, passou um garoto de uns onze anos e eu sorri pra ele...
- Tudo bem, garoto?
- Não, não está... Vai tomar no seu cú!
- Ei, por que tanta raiva?
- Por nada, Angelo... Mas vai tomar no seu cú, antes que eu me esqueça!
- Como sabe meu nome?
- Não interessa! Vai tomar em seu cú!
- Ei pequeno! Você é muito mal educado, sabia? Vou falar com a sua mãe? Cadê ela? E como você se chama?
- Meu nome é Angelo e a minha mãe está na puta que lhe pariu!
- Seu nome é Angelo?!
- É sim, idiota! Tenho o desprazer de ter esse nome cretino! A vaca da minha mãe me deu esse nome em homenagem ao corno do meu pai, que também tinha esse nome. Fora a homenagem a ela mesma.
- Espera aí... Todo mundo na sua família tem esse nome?
- É sim, retardado! Será que você consegue me fazer uma pergunta mais óbvia do que essa? Vamos lá! Se supere e me surpreenda!
O tom de deboche e a fúria do menino me deixou completamente sem saber o que fazer...
- Bem, até logo... Não vou ficar aqui ouvindo uma criança satânica me agredir verbalmente! Ô seu desajustado, vá procurar uma terapia!
- Pode deixar que eu já tô me tratando com a vagabunda da sua mãe!
Depois dessa só me restava continuar. Acelerei um pouco mais, a delicadeza do guri me deu uma injeção de adrenalina. Cheguei a um lugar iluminado, uma luz meio azul... Lindo... E dava uma sensação de calmaria... Uma mulher jovem, linda, de uns vinte e poucos anos, veio falar comigo. Parecia um anjo, bonita pra caralho...
- Olá! Está indo pra onde?
- Não sei... Estou caminhando, meio sem rumo... Como é seu nome?
- Meu nome? Não me conhece?
- Não... Nunca te vi, pelo menos que eu lembre...
- Então é a primeira vez que vem por essas bandas de cá, não é?
- Eu sempre pego a estrada principal, mas chega um momento que tem um monte de desvios. Eu sempre escolho um deles e sigo... Parece interminável o número de caminhos...
- Há ta! Entendi... Bem, meu nome é Ângela.
- Como?
- Ângela.
- Ângela?
- Sim, Ângela.
- Como pode se chamar Ângela? Passei por uma senhora no início da caminhada que se chamava Ângela... Não é um nome muito comum... Depois topei com um garoto psicótico que, além de xingar todos os meus antepassados, tinha uma família inteira de "Angelos"...
- Se você já tivesse passado por aqui, saberia o porquê...
- Nossa... Que estranho...
- Hahahahahahahaha! Não seu bonitinho, não é estranho não... Relaxe!
Aquilo me fascinava, a energia dela era incrível e ainda tinha um sorriso maravilhoso; até esqueci um pouco do garoto.
- Além disso, Ângelo é o meu nome...
- Eu sei.
- Como sabe?
- Porque eu sou você.
- Como assim, mulher?
- Eu sou você. Um pedaço de você. Um pedaço minúsculo... Mas sou parte dos pedaços que te amam...
Tudo era muito esquisito e, apesar de ter ficado atraído por ela, segui em frente.
- Bem, to indo nessa, viu? Beijo!
- Vai lá! Olha... Não fica assustado com nada não... É complexo mesmo, apenas aceite e observe. E se lembre: eu amo você! Quando o ódio aparecer, lembre de mim com carinho! De mim e de outros que aparecerão!
Segui o caminho sem entender muita coisa, como aquela mulher bonita e iluminada poderia me dizer que ela era um pedaço de mim e se chamava Ângela? “Que loucura!”, pensei...
Cheguei a um ponto meio sombrio da estrada. Era cinza escuro o lugar. Vinha em minha direção um homem de bicicleta. Eu continuei, pensei em cumprimentá-lo, mas os meus encontros naquela estrada estavam sendo tão estranhos que eu fiquei na minha.
Quando ele passou por perto de mim, parou a bicicleta e ficou me olhando com cara feia. Estava há uns cinco metros de distância... Bem, não tive muito que fazer a não ser falar com ele.
- Olá... Algum problema?
- Sim, tem um problema sim...
- O que houve?
Ele se aproximou e repentinamente me deu um soco na cara. Caí no chão tonto e com uma dor no queixo...
- Ficou maluco? Por que fez isso?
- Vá embora! Siga o seu caminho, mas volte, não venha por aqui! Vá por outro, cai fora!
- Por que isso, cara? Você me machucou e nem me conhece!
- Cai fora!
- Quem é você, afinal? Quem é você para achar que pode me agredir e que tudo vai ficar por isso mesmo?
- Sou Ângelo e posso fazer o que eu quiser!
- Como?
- Ângelo, seu imbecil! Você é surdo? Cai fora!
Não quis discutir mais, aquilo tudo já estava me assustando. Virei às costas e comecei a correr, voltando todo o caminho que eu tinha feito. Quando eu já estava bem afastado daquele louco, ainda ouvi uns gritos.
- E lembre-se, seu verme: Eu odeio você! Queime no inferno, seu imbecil!
Aquele ódio todo me apavorava, eu nunca tinha visto aquele cara na vida e ele me odiava. Lembrei da linda garota que disse que me amava, enfim... Corri muito, com toda a minha energia, senti um tormento louco. Retornei pelo mesmo caminho, mas não vi ninguém: nem a senhora vestida de bombeiro, nem o menino mal educado e nem a garota linda. Continuei correndo, mesmo ofegante, só fiz acelerar mais e mais...
Então eu abri os meus olhos...
Voltando ao que eu estava tentando dizer: eu caminhava no máximo de aceleração possível. Meu corpo ainda esquentava. Uma pena que eu não tive tempo de me alongar um pouco, ajudaria bastante. Apareciam pessoas bem estranhas no caminho. A primeira delas que realmente chamou a minha atenção foi uma senhora idosa vestida de bombeiro fumando um cigarro de haxixe. Eu a cumprimentei e ela me ofereceu uma tragada. Não aceitei, agradeci e segui em frente. Quando eu estava distante dela, ouvi um grito.
- Me chamo Ângela, querido, o que precisar por aqui me fale, ok? Principalmente se for conselhos, ta?
- Ta Ângela! Prazer e coincidência! Me chamo Angelo também! Por que a senhora está vestida de bombeiro? Tem alguma festa à fantasia por aqui por perto?
- Não meu querido... É porque nesse lugar onde vivo, tudo é imprevisível! Quando você menos espera, pega fogo em alguma parte dele! Mas eu amo o lugar que eu vivo. Ele é real, verdadeiro... Por isso é tão instável...
Segui e não dei muita atenção para a coincidência... A estrada era exótica e depois de mais uns vinte minutos andando, passou um garoto de uns onze anos e eu sorri pra ele...
- Tudo bem, garoto?
- Não, não está... Vai tomar no seu cú!
- Ei, por que tanta raiva?
- Por nada, Angelo... Mas vai tomar no seu cú, antes que eu me esqueça!
- Como sabe meu nome?
- Não interessa! Vai tomar em seu cú!
- Ei pequeno! Você é muito mal educado, sabia? Vou falar com a sua mãe? Cadê ela? E como você se chama?
- Meu nome é Angelo e a minha mãe está na puta que lhe pariu!
- Seu nome é Angelo?!
- É sim, idiota! Tenho o desprazer de ter esse nome cretino! A vaca da minha mãe me deu esse nome em homenagem ao corno do meu pai, que também tinha esse nome. Fora a homenagem a ela mesma.
- Espera aí... Todo mundo na sua família tem esse nome?
- É sim, retardado! Será que você consegue me fazer uma pergunta mais óbvia do que essa? Vamos lá! Se supere e me surpreenda!
O tom de deboche e a fúria do menino me deixou completamente sem saber o que fazer...
- Bem, até logo... Não vou ficar aqui ouvindo uma criança satânica me agredir verbalmente! Ô seu desajustado, vá procurar uma terapia!
- Pode deixar que eu já tô me tratando com a vagabunda da sua mãe!
Depois dessa só me restava continuar. Acelerei um pouco mais, a delicadeza do guri me deu uma injeção de adrenalina. Cheguei a um lugar iluminado, uma luz meio azul... Lindo... E dava uma sensação de calmaria... Uma mulher jovem, linda, de uns vinte e poucos anos, veio falar comigo. Parecia um anjo, bonita pra caralho...
- Olá! Está indo pra onde?
- Não sei... Estou caminhando, meio sem rumo... Como é seu nome?
- Meu nome? Não me conhece?
- Não... Nunca te vi, pelo menos que eu lembre...
- Então é a primeira vez que vem por essas bandas de cá, não é?
- Eu sempre pego a estrada principal, mas chega um momento que tem um monte de desvios. Eu sempre escolho um deles e sigo... Parece interminável o número de caminhos...
- Há ta! Entendi... Bem, meu nome é Ângela.
- Como?
- Ângela.
- Ângela?
- Sim, Ângela.
- Como pode se chamar Ângela? Passei por uma senhora no início da caminhada que se chamava Ângela... Não é um nome muito comum... Depois topei com um garoto psicótico que, além de xingar todos os meus antepassados, tinha uma família inteira de "Angelos"...
- Se você já tivesse passado por aqui, saberia o porquê...
- Nossa... Que estranho...
- Hahahahahahahaha! Não seu bonitinho, não é estranho não... Relaxe!
Aquilo me fascinava, a energia dela era incrível e ainda tinha um sorriso maravilhoso; até esqueci um pouco do garoto.
- Além disso, Ângelo é o meu nome...
- Eu sei.
- Como sabe?
- Porque eu sou você.
- Como assim, mulher?
- Eu sou você. Um pedaço de você. Um pedaço minúsculo... Mas sou parte dos pedaços que te amam...
Tudo era muito esquisito e, apesar de ter ficado atraído por ela, segui em frente.
- Bem, to indo nessa, viu? Beijo!
- Vai lá! Olha... Não fica assustado com nada não... É complexo mesmo, apenas aceite e observe. E se lembre: eu amo você! Quando o ódio aparecer, lembre de mim com carinho! De mim e de outros que aparecerão!
Segui o caminho sem entender muita coisa, como aquela mulher bonita e iluminada poderia me dizer que ela era um pedaço de mim e se chamava Ângela? “Que loucura!”, pensei...
Cheguei a um ponto meio sombrio da estrada. Era cinza escuro o lugar. Vinha em minha direção um homem de bicicleta. Eu continuei, pensei em cumprimentá-lo, mas os meus encontros naquela estrada estavam sendo tão estranhos que eu fiquei na minha.
Quando ele passou por perto de mim, parou a bicicleta e ficou me olhando com cara feia. Estava há uns cinco metros de distância... Bem, não tive muito que fazer a não ser falar com ele.
- Olá... Algum problema?
- Sim, tem um problema sim...
- O que houve?
Ele se aproximou e repentinamente me deu um soco na cara. Caí no chão tonto e com uma dor no queixo...
- Ficou maluco? Por que fez isso?
- Vá embora! Siga o seu caminho, mas volte, não venha por aqui! Vá por outro, cai fora!
- Por que isso, cara? Você me machucou e nem me conhece!
- Cai fora!
- Quem é você, afinal? Quem é você para achar que pode me agredir e que tudo vai ficar por isso mesmo?
- Sou Ângelo e posso fazer o que eu quiser!
- Como?
- Ângelo, seu imbecil! Você é surdo? Cai fora!
Não quis discutir mais, aquilo tudo já estava me assustando. Virei às costas e comecei a correr, voltando todo o caminho que eu tinha feito. Quando eu já estava bem afastado daquele louco, ainda ouvi uns gritos.
- E lembre-se, seu verme: Eu odeio você! Queime no inferno, seu imbecil!
Aquele ódio todo me apavorava, eu nunca tinha visto aquele cara na vida e ele me odiava. Lembrei da linda garota que disse que me amava, enfim... Corri muito, com toda a minha energia, senti um tormento louco. Retornei pelo mesmo caminho, mas não vi ninguém: nem a senhora vestida de bombeiro, nem o menino mal educado e nem a garota linda. Continuei correndo, mesmo ofegante, só fiz acelerar mais e mais...
Então eu abri os meus olhos...
29 abril 2007
Tênue, mas sempre distintos
Mergulho, nado; acho sempre bom estar no mar. A sensação da água tocando na pele, sinto-me protegido do calor insuportável. Existe um mundo imenso de vidas no mar, gosto de dividir as minhas idéias com esses seres, eles não costumam julgar gratuitamente, normalmente passam e dá para abordá-los. Alguns são indiferentes, mas eu não ligo, até me dá sono. É bom, me tranqüiliza... Não sei... Será que me tranqüiliza mesmo? Caio em dúvida sobre essa questão às vezes, segurança é interessante, mas tira muito da emoção. Não existem entregas quando se possui garantia. É um saco... Muito chato mesmo. Todas as vezes que eu coloco a minha cabeça para fora do mar, vejo imagens incríveis, não necessariamente boas, nem precisam ser, mas sempre me dizem algo.
Eu acho que vou sair um pouco da água, meus olhos estão ardendo, vou me expor um pouco ao sol. Não somente vou colocar o meu rosto para fora, vou sair por inteiro e dar uma volta. Sei que o sol está muito forte, mas tudo bem, eu quero sentir calor mesmo.
Eu acho que vou sair um pouco da água, meus olhos estão ardendo, vou me expor um pouco ao sol. Não somente vou colocar o meu rosto para fora, vou sair por inteiro e dar uma volta. Sei que o sol está muito forte, mas tudo bem, eu quero sentir calor mesmo.
23 abril 2007
Puxa da tomada que dá certo
É certo que poderia ser uma virtude, mas tem gente que faz mau uso? É, pode ser. Esse é um argumento que serve para determinados casos. Eu sei... Às vezes exagero, até me acho desagradável, mas eu gosto. Se eu gosto de mim? Sim. Aceito as minhas imperfeições, às vezes faço até pouco caso delas. Pode ser que esse seja o aspecto divertido... Gosto de entregas, mas não preciso me comunicar diretamente para ter que deixar claro isso. Não sei se não preciso ou se não faço questão. Aí só o tempo pode me dizer e mesmo assim, ele não me garante nada.
Tudo bem que escrever é mais fácil do que existir; digo existir na prática mesmo. É um saco, muitas vezes é até insuportável. Mas está aí, não é? Fazer o quê? Vamos ver até onde posso ir... Atchim! Obrigado... Bem, é isso... Acho que vou pensar agora, estou sem paciência de desenvolver escritas sobre a minha existência. Só vou pensar porque não tem jeito mesmo. Porque é foda, viu? Tem horas que eu esqueço de viver de tanto pensar.
Tudo bem que escrever é mais fácil do que existir; digo existir na prática mesmo. É um saco, muitas vezes é até insuportável. Mas está aí, não é? Fazer o quê? Vamos ver até onde posso ir... Atchim! Obrigado... Bem, é isso... Acho que vou pensar agora, estou sem paciência de desenvolver escritas sobre a minha existência. Só vou pensar porque não tem jeito mesmo. Porque é foda, viu? Tem horas que eu esqueço de viver de tanto pensar.
22 abril 2007
As pernas que andavam, passaram a balançar, mas voltaram a andar
Maraú é um lugar mágico. Uma península paradisíaca no sul da Bahia. Tenho um primo, o Fábio, que eu chamo de Sabonete, que é como se fosse irmão: ele é proprietário de uma área linda, tem um lago fantástico no meio, ele montou um camping e fez a sua casa, há alguns anos. Há dois anos atrás eu resolvi passar quinze dias lá com ele, foi uma época boa para ir para lá, estava vazio, ficamos somente eu, ele e um argentino chamado Guilhermo. Ficamos na casa de Sabonete, que é uma casa bem interessante em sua decoração com troncos e plantas. O hermano portenho era gente boa, tinha aquele sotaque de quem está se esforçando para falar português, mas passa a impressão de que está com vinte balas Soft na boca. Era um maconheiro de mão cheia e estava portando uma das melhores ervas que eu já fumei na vida.
- Anxxelo, queres um bacheado?
- Sim, pode ser...
- Eu vai aperrtar um enroladito para vochê!
- Beleza, manda ver.
Eu tinha levado alguns textos de Freud e de Clarice Lispector para estudar e fora isso, passava o dia inteiro fumando maconha e analisando a vida. É engraçado como o contato com a natureza, depois de um certo tempo inserido nela, deixa a pessoa muito mais sensível. Sempre que eu fico em lugares como Maraú por mais de uma semana, volto para Salvador um tanto retardado, sensível e leve. E a falta do que fazer lá, mexia com a minha criatividade. Depois de fumarmos umas vinte gramas voltando de uma caminhada, dei de frente com uma aranha caranguejeira enorme e peluda, no meio da trilha. A minha reação foi parar e ficar mudo. Enquanto eu analisava o que eu faria naquela situação em frente a aquele ser diferente e cheio de pernas, Sabonete se aproximou e colocou uma caixa vazia grande de cigarrilhas espanholas que ele tinha na mochila e prendeu a aranha. Fez isso com tamanha calma e aquilo me pareceu tão fácil que eu me senti humilhado. A questão é que eu sempre fui bem curioso em relação a determinados assuntos e sugeri que a gente a levasse para o camping, colocasse em um pote grande de vidro e deixasse-a por uns dois dias lá; a idéia era que sempre que a gente fosse fumar maconha, soltasse a fumaça para dentro do vidro. Eu não sei por que, mas os dois toparam. Chegamos ao camping, Sabonete pegou um pote enorme de vidro e deixamos ela lá dentro, aberto mesmo, ela escorregava, não conseguia sair. Batizei-a de Marta. Até a hora que fomos dormir, fumamos uns seis becks e durante todos eles, soltamos a fumaça dentro do vidro. Aparentemente, ela não tinha nenhuma reação anormal, até porque ela iria fazer o quê?
Eu estava tão chapado que deitei e dormi, coisa que nunca faço, nem bêbado, sempre demoro, frito em pensamentos antes de conseguir pegar no sono. Acordei muito cedo, umas seis da manhã, fui ao banheiro e voltei a dormir. Nesse voltar a dormir, sonhei que eu estava em uma rede tomando água de coco e balançando as pernas. Eu apertava o canudo – hábito que eu tenho mesmo, ajuda a dar a impressão que estou economizando e que sobra mais – e no momento em que eu tirei o canudo do coco, pulou uma aranha enorme no meu peito. Estranhamente eu não sentia medo, fiquei apenas parado. Ela olhava para mim, eu conseguia entender que ela me analisava.
- O que foi que eu te fiz? Perguntou com uma voz macia
- Nada... Não fez nada?
- Então por que não me deixa seguir o meu caminho?
Nesse momento eu acordei com uma vontade forte de vomitar. Nem cheguei a respondê-la no sonho. Saí correndo em direção a mesa onde estava o pote com a aranha. Tudo o que eu queria era me livrar daquele sentimento tenebroso que eu estava no peito. No caminho até a mesa, passei por um espelho enorme que Sabonete mantém pendurado no corredor que dá para a sala. Confesso que não estava me reconhecendo. Não sabia identificar se era vergonha, sei lá... Eu simplesmente não queria ver meus próprios olhos. Quando cheguei à frente da mesa, dei de cara com o pote vazio.
- Puta que pariu! Sabonete! Guilhermo! Cadê a aranha? Caralho, cadê a aranha?
- Qual foi man, que escândalo é esse? Questionou-me, Sabonete, que veio correndo.
- Man, a aranha, cara? Cadê a porra da aranha?
- Há, é isso, é? Porra! Relaxa, ela não ta solta pela casa não, cara. To pensando que é algo sério para esse seu pití... Guilhermo a soltou de manhã, disse que sonhou com ela pedindo para ele soltá-la.
Na hora que Sabonete me disse aquilo com um ar de desdém, eu não conseguia processar direito o que tinha acontecido. Apenas voltei para a cama e deitei. Meu corpo estava totalmente arrepiado e os meus olhos encheram de lágrimas. Sabonete acabou percebendo que algo estava acontecendo e veio me indagar, mas eu pedi para que ele me deixasse sozinho, eu queria apenas ficar em silêncio absoluto. Guilhermo tinha saído, só estava eu e ele na casa. Nunca consegui desenvolver em palavras o que aquela aranha fez comigo, depois conversei com Guilhermo sobre o sonho que ele teve, foi diferente do meu, mas era exatamente o mesmo contexto. Não contei sobre o meu sonho, preferi apenas comentar por alto com Sabonete que eu tinha sonhado com uma aranha, mas sem entrar em muitos detalhes.
Ainda não sei bem os motivos, mas ando pensando muito nesse episódio...
- Anxxelo, queres um bacheado?
- Sim, pode ser...
- Eu vai aperrtar um enroladito para vochê!
- Beleza, manda ver.
Eu tinha levado alguns textos de Freud e de Clarice Lispector para estudar e fora isso, passava o dia inteiro fumando maconha e analisando a vida. É engraçado como o contato com a natureza, depois de um certo tempo inserido nela, deixa a pessoa muito mais sensível. Sempre que eu fico em lugares como Maraú por mais de uma semana, volto para Salvador um tanto retardado, sensível e leve. E a falta do que fazer lá, mexia com a minha criatividade. Depois de fumarmos umas vinte gramas voltando de uma caminhada, dei de frente com uma aranha caranguejeira enorme e peluda, no meio da trilha. A minha reação foi parar e ficar mudo. Enquanto eu analisava o que eu faria naquela situação em frente a aquele ser diferente e cheio de pernas, Sabonete se aproximou e colocou uma caixa vazia grande de cigarrilhas espanholas que ele tinha na mochila e prendeu a aranha. Fez isso com tamanha calma e aquilo me pareceu tão fácil que eu me senti humilhado. A questão é que eu sempre fui bem curioso em relação a determinados assuntos e sugeri que a gente a levasse para o camping, colocasse em um pote grande de vidro e deixasse-a por uns dois dias lá; a idéia era que sempre que a gente fosse fumar maconha, soltasse a fumaça para dentro do vidro. Eu não sei por que, mas os dois toparam. Chegamos ao camping, Sabonete pegou um pote enorme de vidro e deixamos ela lá dentro, aberto mesmo, ela escorregava, não conseguia sair. Batizei-a de Marta. Até a hora que fomos dormir, fumamos uns seis becks e durante todos eles, soltamos a fumaça dentro do vidro. Aparentemente, ela não tinha nenhuma reação anormal, até porque ela iria fazer o quê?
Eu estava tão chapado que deitei e dormi, coisa que nunca faço, nem bêbado, sempre demoro, frito em pensamentos antes de conseguir pegar no sono. Acordei muito cedo, umas seis da manhã, fui ao banheiro e voltei a dormir. Nesse voltar a dormir, sonhei que eu estava em uma rede tomando água de coco e balançando as pernas. Eu apertava o canudo – hábito que eu tenho mesmo, ajuda a dar a impressão que estou economizando e que sobra mais – e no momento em que eu tirei o canudo do coco, pulou uma aranha enorme no meu peito. Estranhamente eu não sentia medo, fiquei apenas parado. Ela olhava para mim, eu conseguia entender que ela me analisava.
- O que foi que eu te fiz? Perguntou com uma voz macia
- Nada... Não fez nada?
- Então por que não me deixa seguir o meu caminho?
Nesse momento eu acordei com uma vontade forte de vomitar. Nem cheguei a respondê-la no sonho. Saí correndo em direção a mesa onde estava o pote com a aranha. Tudo o que eu queria era me livrar daquele sentimento tenebroso que eu estava no peito. No caminho até a mesa, passei por um espelho enorme que Sabonete mantém pendurado no corredor que dá para a sala. Confesso que não estava me reconhecendo. Não sabia identificar se era vergonha, sei lá... Eu simplesmente não queria ver meus próprios olhos. Quando cheguei à frente da mesa, dei de cara com o pote vazio.
- Puta que pariu! Sabonete! Guilhermo! Cadê a aranha? Caralho, cadê a aranha?
- Qual foi man, que escândalo é esse? Questionou-me, Sabonete, que veio correndo.
- Man, a aranha, cara? Cadê a porra da aranha?
- Há, é isso, é? Porra! Relaxa, ela não ta solta pela casa não, cara. To pensando que é algo sério para esse seu pití... Guilhermo a soltou de manhã, disse que sonhou com ela pedindo para ele soltá-la.
Na hora que Sabonete me disse aquilo com um ar de desdém, eu não conseguia processar direito o que tinha acontecido. Apenas voltei para a cama e deitei. Meu corpo estava totalmente arrepiado e os meus olhos encheram de lágrimas. Sabonete acabou percebendo que algo estava acontecendo e veio me indagar, mas eu pedi para que ele me deixasse sozinho, eu queria apenas ficar em silêncio absoluto. Guilhermo tinha saído, só estava eu e ele na casa. Nunca consegui desenvolver em palavras o que aquela aranha fez comigo, depois conversei com Guilhermo sobre o sonho que ele teve, foi diferente do meu, mas era exatamente o mesmo contexto. Não contei sobre o meu sonho, preferi apenas comentar por alto com Sabonete que eu tinha sonhado com uma aranha, mas sem entrar em muitos detalhes.
Ainda não sei bem os motivos, mas ando pensando muito nesse episódio...
Eu deixei esse blog abandonado por um tempão; nunca paro de escrever, mas estava sem saco para dividir o meu mau humor. Para piorar, deu uma pane nessa porcaria aqui e todos os comentários que eu tinha dos textos mais antigos sumiram. Isso para mim foi uma merda, eu tinha alguns comentários geniais, tinha uma galera que fazia quase textos, tinha gente que fazia propaganda, uma psicóloga que usava o nome de "Fênix" e que ficava me estudando, era uma festa da casa da mãe Joana. Óvio que o mais legal era os xingamentos ou quando alguém mandava eu me tratar. Eu acho bárbaro que as pessoas não entendem ou não aceitam admitir que o obscuro existe e isso não é nem ruim e nem bom; não tem que ser, aliás, o ruim e o bom é que atrapalha a vida. Por que tudo tem que receber classificação?
Tom, para você que se diverte, eu voltei, viu? E como eu ando bem humorado no dia à dia, você vai se divertir muito mais, você sabe o que isso significa em relação a esse blog... Aliás, parabéns. Lembrei que hoje é o dia em que o seu pai teve a péssima idéia de transar com a sua mãe, concebendo a sua existência.
Tom, para você que se diverte, eu voltei, viu? E como eu ando bem humorado no dia à dia, você vai se divertir muito mais, você sabe o que isso significa em relação a esse blog... Aliás, parabéns. Lembrei que hoje é o dia em que o seu pai teve a péssima idéia de transar com a sua mãe, concebendo a sua existência.
30 março 2007
10 fevereiro 2007
Empolgação é um sentimento que parece uma daquelas drogas que causam euforia imediata, uma espécie de cocaína; depois que o efeito passa, a pessoa desce cinqüenta andares em segundos. Da alegria incontrolável para a sensação de estupidez e tristeza. Lógico que não é uma regra, na verdade são situações específicas, mas como é natural do ser humano, a desgraça é sempre lembrada primeiro em relação às delícias da vida.
A melhor parte: tudo passa e vira motivo de risadas e boas histórias.
A melhor parte: tudo passa e vira motivo de risadas e boas histórias.
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