A perfeição do sorriso repleto de dentes brancos perfeitos consegue manter uma mente que se esforça para continuar em harmonia e equilíbrio. Sempre tive sorte em determinados quesitos sociais, mas nunca achei que poderia chegar onde estou. A questão do pertencer é bem complexa, não morro de amores por essa palavra excessivamente possessiva, mas... A verdade é que eu estou nela e ela está em mim. Apenas isso. Aí vem o quarto ano daquilo que considero uma prova de que realmente existe um motivo para a minha existência.
Paula/ Branca/ Teimosa/ Taurina / Cheirosa / Inteligentíssima / Preguiçosa / Crítica / Tesuda / Falastrona / Maneirista / Individualista / Dançarina / Escritora / Jornalista
22 dezembro 2005
O Bosque
Encontrava-me distraído, meus passos seguiam a ritmo de tartaruga, os pensamentos simplesmente vagavam despretensiosamente. Dava para visualizar muitas histórias, da Gata Borralheira à do homem forte e da mulher de pele macia. Foi quando o tempo ficou frio, não somente frio em sua temperatura, mas a sua imagem diante dos meus olhos. Meus olhos ora vivos, banhados ora por lágrimas, em outros momentos por sangue. Ora catatônicos, uma imagem virgem, um conceito sem nexo ou por demais envelhecido para possuir relevância lógica. Árvores de troncos imponentes e de aspecto macabro me lembravam que o meu amor não estava presente naquele momento, apenas a alma de barro que se conectava aos ruídos xamânicos que interagiam em força entrelaçada. A força jamais é uma unidade. A escuridão, que tomava forma, trazia formas. Adereços da minha fantasia vinham e não iam embora, mudavam o contorno de acordo com o meu piscar, úmido e vagaroso. Eu não tinha medo, o desejava em presença me faria sair da inércia, da decrepitude dos passos sem rumo, perdidos no imenso bosque. Sem uma ave de rapina real para me guiar, como eu poderia sair do bosque?
16 dezembro 2005
08 dezembro 2005
23 novembro 2005
Desejo é o meu nome
Sou eu que vou dar as cartas, o dúbio ainda está presente, mas a sua força é cada vez mais restrita. Acabo por ser dominado, é bem verdade que gosto disso porque sempre ocorre quando eu quero. Talvez não mais. Eu ser forte o bastante para apenas me colocar no caminho oscilante do acaso é uma possibilidade que ainda me custa acostumar.
Desejo é o meu nome. Dou cria. Quando eu nasci, fui condenado a vagar em pensamentos, sem nenhuma perspectiva de findar o que me foi dado. O sono não é um descanso, é uma transferência, um estado diferente de pensamentos editados no subconsciente. Esse sou eu. Desejo é o meu nome.
Faço desenhos no corpo utilizando apenas um dedo. Isso não garante que conseguem interpretar. Às vezes escrevo, e quando termino cada letra, ela já se foi. A única maneira de saber é sentindo o meu indicador na pele e acompanhando o nascimento e a morte. Poucos possuem esse privilégio. Sim, porque meu nome é desejo. Posso machucar, mas ainda assim vale a pena sucumbir aos meus caprichos. Mesmo que o implícito me indique um lado de função vingativa, ainda assim eu não perdi a capacidade de amar. Não, não é o amor social, não é o amor de convívio, não é decorativo e nem comemorativo. É insano e completamente abstrato. É isento de divagações vulgares.
Desejo é o meu nome. Eu dou rosas e nem sempre a minha intenção é ter a minha beleza apreciada em toda a sua plenitude. Posso apenas querer utilizar os espinhos que possuo. Meus atos vampirescos acordam de vez em quando, mas bebo apenas sangue sagrado. E quando o meu instinto é tocado em sua profundidade, dou o meu sêmen em troca do sangue. Ou melhor, tento uni-los. E se consigo, acabo sendo eu, em minha plenitude, murmurando nos ouvidos para despertar desejos proibidos.
Desejo é o meu nome. Eu já menti, acreditei em minhas inverdades, já fui essência, mas nem sempre percebi. Já vi a luz e tive medo de encará-la e me cegar ao vê-la refletida no espelho. Conheci o inferno, talvez eu seja cria dele, já que o próprio me fortaleceu. Mastiguei almas inocentes, beijei bocas apaixonadas e brinquei com demônios alheios. Cheirei corpos perfumados, acariciei colos suados, senti fluidos de odor primitivo e animal que me remetem ao meu próprio nome. Minha língua passeou entre dedos de pés felinos, bebeu lagrimas de amor, e de ódio também. O meu amuleto sagrado já foi passado para outras mãos.
A loucura pode ser o meu destino e daqueles que da minha história insistem em participar, mas ainda assim, como eu disse outrora, vale a pena sucumbir aos meus caprichos. Cada loucura tem um dono e uma particularidade. Sei que os poucos escolhidos que terão coragem de compartilhar do meu poder feminino sagrado e do meu sol negro viverão fora da matriz sempre que se permitirem.
Desejo é o meu nome. Dou cria. Quando eu nasci, fui condenado a vagar em pensamentos, sem nenhuma perspectiva de findar o que me foi dado. O sono não é um descanso, é uma transferência, um estado diferente de pensamentos editados no subconsciente. Esse sou eu. Desejo é o meu nome.
Faço desenhos no corpo utilizando apenas um dedo. Isso não garante que conseguem interpretar. Às vezes escrevo, e quando termino cada letra, ela já se foi. A única maneira de saber é sentindo o meu indicador na pele e acompanhando o nascimento e a morte. Poucos possuem esse privilégio. Sim, porque meu nome é desejo. Posso machucar, mas ainda assim vale a pena sucumbir aos meus caprichos. Mesmo que o implícito me indique um lado de função vingativa, ainda assim eu não perdi a capacidade de amar. Não, não é o amor social, não é o amor de convívio, não é decorativo e nem comemorativo. É insano e completamente abstrato. É isento de divagações vulgares.
Desejo é o meu nome. Eu dou rosas e nem sempre a minha intenção é ter a minha beleza apreciada em toda a sua plenitude. Posso apenas querer utilizar os espinhos que possuo. Meus atos vampirescos acordam de vez em quando, mas bebo apenas sangue sagrado. E quando o meu instinto é tocado em sua profundidade, dou o meu sêmen em troca do sangue. Ou melhor, tento uni-los. E se consigo, acabo sendo eu, em minha plenitude, murmurando nos ouvidos para despertar desejos proibidos.
Desejo é o meu nome. Eu já menti, acreditei em minhas inverdades, já fui essência, mas nem sempre percebi. Já vi a luz e tive medo de encará-la e me cegar ao vê-la refletida no espelho. Conheci o inferno, talvez eu seja cria dele, já que o próprio me fortaleceu. Mastiguei almas inocentes, beijei bocas apaixonadas e brinquei com demônios alheios. Cheirei corpos perfumados, acariciei colos suados, senti fluidos de odor primitivo e animal que me remetem ao meu próprio nome. Minha língua passeou entre dedos de pés felinos, bebeu lagrimas de amor, e de ódio também. O meu amuleto sagrado já foi passado para outras mãos.
A loucura pode ser o meu destino e daqueles que da minha história insistem em participar, mas ainda assim, como eu disse outrora, vale a pena sucumbir aos meus caprichos. Cada loucura tem um dono e uma particularidade. Sei que os poucos escolhidos que terão coragem de compartilhar do meu poder feminino sagrado e do meu sol negro viverão fora da matriz sempre que se permitirem.
22 novembro 2005
Ainda bem que sou corinthiano
Ainda bem que sou corinthiano, apesar de ter parado de acompanhar futebol. Fiquei menos ogro, mas não vou negar que os maiores torcedores do time são os árbitros. O jogo com o Internacional de Porto Alegre que o diga. Aquele pênalti não marcado... Nessas horas eu adoro o Brasil.
14 novembro 2005
Fantasmas
Apesar de o inferno ter se instalado, a culpa está indo embora, o que não dá para dizer com segurança se isso é bom ou ruim. Os meus dois guardiões me esclarecem muitas coisas sombrias, nem sempre com palavras; que o mundo tenha piedade, pois o obscuro se extinguindo, não terei pena dele.
31 outubro 2005
Historinhas
Está certo que é muito bonito falar de amor, divagar idéias sobre o quanto esse sentimento tachado como Chapeuzinho Vermelho - que na verdade é um lobo mau em diversas ocasiões - pode ser um ato próximo ao sublime. Ok... Mas deixando a hipocrisia se atrasar na sua presença, fato é que o amor é o benefício do bem estar, onde tudo possui muita luz e cores. Estou levando em consideração a parte benéfica do sentimento. Mas o ódio é que faz o verdadeiro movimento, provoca, incendeia os verdadeiros estímulos; o amor, por ser o ódio disfarçado de algo tipo a apresentadora Eliana, pode em seu contra ponto fazer isso. Enfim, ele é mal visto, "palavra e sentimento pesado", mas grandes mudanças se fazem e foram feitas com a presença dele. Por favor, entendam de que ódio estou falando. Não sou um fundamentalista doente, talvez eu seja apenas doente, mas isso é uma outra história.
17 outubro 2005
Páginas em Branco
Parece até absurdo imaginar que virar um robô pode ser a coisa mais confortável do mundo. Deveria ser, é o que seres pensantes, que fogem compulsivamente do senso comum tentam. Mas no final das contas, na prática mesmo, cruel como a existência inexplicável das verdades individuais e das mentiras coletivas, o melhor mesmo é ser uma máquina. Enfim, o real é isso: a inteligência é fruto de um conjunto de barbaridades de histórias individuais ou então a presença dela nas individualidades causa ou causará a visualização das imensas atrocidades.
Um imenso livro foi escrito; capítulos e mais capítulos... Mas como assim? Abrindo ele, percebo que são grandes folhas em branco. Vamos então começar a escrever - isso, escrever, falei certo, não é reescrever - o livro que já foi escrito, mas não possui nenhum conteúdo. Estranho? Pois é... A vida é estranha, os ídolos também, o que não significa que estranho seja necessariamente ruim...
É uma pena saber que não são todos os filmes que podemos editar. Não dá para escolher as melhores cenas e apagar aquelas que odiamos.
Um imenso livro foi escrito; capítulos e mais capítulos... Mas como assim? Abrindo ele, percebo que são grandes folhas em branco. Vamos então começar a escrever - isso, escrever, falei certo, não é reescrever - o livro que já foi escrito, mas não possui nenhum conteúdo. Estranho? Pois é... A vida é estranha, os ídolos também, o que não significa que estranho seja necessariamente ruim...
É uma pena saber que não são todos os filmes que podemos editar. Não dá para escolher as melhores cenas e apagar aquelas que odiamos.
03 outubro 2005
Exótica - Série 1
Jodie não sabia o que poderia conter a sua insanidade, estava ficando cada vez pior - provavelmente, uma das fases mais problemáticas da loucura para a pessoa que a possui é a inicial, quando você percebe que está intercalando entre duas dimensões. Em sua angústia, apreensiva com a possibilidade do descontrole total a que todos estão sujeitos, entrou no quarto do irmão tetraplégico e o observou dormir. Eddie tinha sofrido um acidente automobilístico há cinco anos. Era considerado uma promessa do tênis antes da catástrofe que lhe inutilizou o corpo.
Jodie pegou cinco papelotes de cocaína pura e começou a dividir em imensas carreiras, em cima de uma bandeja de alumínio. Acordou o irmão e lhe ofereceu. Ele foi atleta, mas a brusca mudança em sua vida o transformou; começou a cheirar com o auxílio da irmã. Uma... Duas... Três...
É no mínimo exótico analisar um tetraplégico cheirado. A cabeça - que é a única coisa que ele mexia - tremia como se fosse uma pipoqueira durante o estouro dos milhos. Um sorriso macabro acompanhado da língua que não parava de passear externamente pelos lábios. Jodie também utilizava a droga, mas dessa vez o seu barato era observar o irmão mastigando a si próprio. Depois da quinta carreira, Eddie começou a babar e balbuciar palavras sem nexo, sempre acompanhado das gargalhadas da irmã.
Sem aviso prévio, Frank, o pai de ambos, adentra no quarto e percebe o nível de loucura química em que os filhos se encontravam. Ainda havia duas carreiras separadas. Enfurecido com a cena, Frank cheirou o que ainda restava no quarto, sacou a sua arma e disparou dois tiros certeiros na cabeça de Eddie. Atônita, Jodie ficou muda e trêmula, com o rosto lambuzado de sangue e miolos do irmão. Foi questionada pelo pai: "Por que você cheirou todo o meu pó? Para piorar, encheu esse inútil que não se mexe com a minha mercadoria! Isso é muito caro, sabia?"
Jodie começou a tirar a roupa. Encostou um dos pés no rosto do pai, que começou a chupar o seu dedão e a lamber a sola macia. "Vamos para o meu quarto, filha", disse Frank. "Ainda tenho quinze papelotes para nós." Se beijaram e atravessaram o corredor.
Jodie pegou cinco papelotes de cocaína pura e começou a dividir em imensas carreiras, em cima de uma bandeja de alumínio. Acordou o irmão e lhe ofereceu. Ele foi atleta, mas a brusca mudança em sua vida o transformou; começou a cheirar com o auxílio da irmã. Uma... Duas... Três...
É no mínimo exótico analisar um tetraplégico cheirado. A cabeça - que é a única coisa que ele mexia - tremia como se fosse uma pipoqueira durante o estouro dos milhos. Um sorriso macabro acompanhado da língua que não parava de passear externamente pelos lábios. Jodie também utilizava a droga, mas dessa vez o seu barato era observar o irmão mastigando a si próprio. Depois da quinta carreira, Eddie começou a babar e balbuciar palavras sem nexo, sempre acompanhado das gargalhadas da irmã.
Sem aviso prévio, Frank, o pai de ambos, adentra no quarto e percebe o nível de loucura química em que os filhos se encontravam. Ainda havia duas carreiras separadas. Enfurecido com a cena, Frank cheirou o que ainda restava no quarto, sacou a sua arma e disparou dois tiros certeiros na cabeça de Eddie. Atônita, Jodie ficou muda e trêmula, com o rosto lambuzado de sangue e miolos do irmão. Foi questionada pelo pai: "Por que você cheirou todo o meu pó? Para piorar, encheu esse inútil que não se mexe com a minha mercadoria! Isso é muito caro, sabia?"
Jodie começou a tirar a roupa. Encostou um dos pés no rosto do pai, que começou a chupar o seu dedão e a lamber a sola macia. "Vamos para o meu quarto, filha", disse Frank. "Ainda tenho quinze papelotes para nós." Se beijaram e atravessaram o corredor.
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