O que me cansa de verdade não é neguinho fazer merda ou cometer os erros absurdos que às vezes cometemos. É o cidadão não fazer nada, não tentar, não se permitir errar. Me irrito mais ainda com os que erram e não conseguem aprender nada, e pior, não possuem senso de humor para rir da situação e melhorar.
Tem o tipo que acha que não erra, mas sim, acerta pela metade. E tem o tipo que acha que nunca erra, é sempre mal interpretado pela ignorância alheia.
Na boa, gente é muito chato.
26 Janeiro 2010
25 Dezembro 2009
Item insubstituível
É bem verdade que estar só é uma escolha e que ser uma pessoa solitária é algo muito mais complexo. Eu sempre gostei de ficar sozinho. É um exercício de autoconhecimento, as decisões e análises fluem com menos interrupções e não se contaminam por uma segunda opinião.
Mesmo que raramente eu me sinta solitário, certas ausências conseguem passar uma sensação de abandono incrível. É o que chamo de item insubstituível; eu já tinha noção de qual seria o meu, mas ainda assim, fico surpreso com a apatia que me causa a ausência da minha mulher.
Uma simples viagem, apenas vinte dias de ausência. Teoricamente é uma bobagem, mas na prática, as sensações infanto-juvenis de carência, isolamento e saudade, são tão bobas quanto reais.
Eu realmente sinto muita falta de Paula, sua ausência não me causa mal, mas me tira a empolgação para agir.
Bem, isso é amor, não é?
Mesmo que raramente eu me sinta solitário, certas ausências conseguem passar uma sensação de abandono incrível. É o que chamo de item insubstituível; eu já tinha noção de qual seria o meu, mas ainda assim, fico surpreso com a apatia que me causa a ausência da minha mulher.
Uma simples viagem, apenas vinte dias de ausência. Teoricamente é uma bobagem, mas na prática, as sensações infanto-juvenis de carência, isolamento e saudade, são tão bobas quanto reais.
Eu realmente sinto muita falta de Paula, sua ausência não me causa mal, mas me tira a empolgação para agir.
Bem, isso é amor, não é?
Texto de
Angelo
15 Dezembro 2009
Rumo ao céu
A parte boa de descer ao inferno judaico-cristão é que não há mais nada de pior para vir - ou nenhum lugar mais profundo e obscuro para descer. Só resta o céu como opção, caso o inferno não pareça minimamente interessante.
Já consigo até sentir a brisa do vento e observar a corzinha azul do céu.
Já consigo até sentir a brisa do vento e observar a corzinha azul do céu.
Texto de
Angelo
19 Julho 2009
Madrugadas Chuvosas
A sonoplastia da chuva cria imaginárias notas musicais durante a insônia. O bom de conseguir manter a mente isenta de pensamentos é poder seguir o ritmo musical escolhido pela fusão entre a água e o vento. A natureza parece mandar exatamente o ritmo que eu tenho necessitado ouvir.
A noite dá uma aula de sons estranhos porque na madrugada chuvosa dá para fazer uma audição atenciosa do que não se é possível prestar verdadeira atenção durante o dia. Dá para obter respostas, formular perguntas, ter medos, superar os mesmos medos, planejar ou simplesmente ouvir o próprio corpo trabalhar.
Tem gente que procura um psicólogo, há quem busque uma religião, tem aqueles que fazem yoga, existem os que não fazem absolutamente nada e apenas aguardam um suposto ser superior mandar respostas e findar os tormentos da existência. E poucos se tocam que uma simples madrugada chuvosa pode resolver inúmeros problemas.
A noite dá uma aula de sons estranhos porque na madrugada chuvosa dá para fazer uma audição atenciosa do que não se é possível prestar verdadeira atenção durante o dia. Dá para obter respostas, formular perguntas, ter medos, superar os mesmos medos, planejar ou simplesmente ouvir o próprio corpo trabalhar.
Tem gente que procura um psicólogo, há quem busque uma religião, tem aqueles que fazem yoga, existem os que não fazem absolutamente nada e apenas aguardam um suposto ser superior mandar respostas e findar os tormentos da existência. E poucos se tocam que uma simples madrugada chuvosa pode resolver inúmeros problemas.
Texto de
Angelo
24 Abril 2009
Vulgar Display Of Power
Esse álbum lançado em 1992 pertence a uma extinta banda chamada Pantera. Sempre gostei da postura agressiva e até confusa deles. Tentavam espalhar o caos, mas não sabiam o porquê, e isso era um dos poucos defeitos que eu via no grupo; não saber o motivo da existência do caos. Menos mau que era um defeito de postura, musicalmente eles eram impecáveis.
Ontem de noite ouvi Pantera depois de muitos anos e percebi que o título desse álbum tem muito mais a ver comigo do que um dia eu poderia imaginar.
Ontem de noite ouvi Pantera depois de muitos anos e percebi que o título desse álbum tem muito mais a ver comigo do que um dia eu poderia imaginar.
Texto de
Angelo
02 Abril 2009
Rumo ao Inferno
De malas prontas para São Paulo, estou tendo novamente que lidar com o meu medo estúpido de avião. O que me irrita nessa pseudofobia minha é que, com tantas coisas assustadoras – incluindo passar dez dias no inferno, ou melhor, São Paulo -, eu fico parecendo uma criança de três anos de idade quando vê um palhaço na frente dela ao adentrar na aeronave. Menos pior que a viagem é rápida.
Felizmente serão apenas dez dias, que é uma quantidade de tempo razoável para amar a metrópole. Se demorar um pouquinho mais, eu percebo porque nem o Diabo fica muito por lá. Aliás, o “coisa ruim” tem vários súditos na cidade, alguns inclusive são amigos meus.
Como todo bom inferno, muito rock and roll marcará presença na minha estadia lá; pelo menos, me planejei para isso. Como imagino que verei – e viverei - muitas coisas surreais na Sodoma e Gomorra corintiana, levo meu laptop para registrar o que eu conseguir lembrar; certamente a minha amnésia alcoólica deverá atacar em algum momento.
Rumo ao inferno.
Felizmente serão apenas dez dias, que é uma quantidade de tempo razoável para amar a metrópole. Se demorar um pouquinho mais, eu percebo porque nem o Diabo fica muito por lá. Aliás, o “coisa ruim” tem vários súditos na cidade, alguns inclusive são amigos meus.
Como todo bom inferno, muito rock and roll marcará presença na minha estadia lá; pelo menos, me planejei para isso. Como imagino que verei – e viverei - muitas coisas surreais na Sodoma e Gomorra corintiana, levo meu laptop para registrar o que eu conseguir lembrar; certamente a minha amnésia alcoólica deverá atacar em algum momento.
Rumo ao inferno.
Texto de
Angelo
01 Fevereiro 2009
Para quem não enxerga, tudo é entretenimento...
Ao assistir de forma totalmente despretensiosa o filme “Quarentena” (Quarantine – 2008), me deparei com uma pequena e subestimada obra-prima. A história é simples, sendo o longa quase um documentário e o telespectador participa ativamente.
Angela Vidal, uma repórter aparentemente inexperiente e o cinegrafista de um programa de TV passam uma noite em uma sede do corpo de bombeiros. Depois de se enturmar com alguns dos bombeiros, jogar basquete, fazer apostas noite adentro e ouvir cantadas baratas, Angela começa a sentir tédio e demonstra certa frustração por não haver ação para mostrar ao seu público. Quando finalmente ocorre uma chamada, ela e o cinegrafista partem junto com o carro de bombeiros para checar a ocorrência, que segundo os próprios bombeiros, deveria ser alguma chamada médica. A partir daí, o filme brinda o telespectador com uma viagem ao terror profundo, como poucas vezes foram vistas no cinema.
Refilmagem do longa espanhol “REC” (2007), “Quarentena” é uma mistura da “Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) com “Epidemia” (Outbreak, 1995).
O filme é assustador por possuir uma história completamente plausível. Mexe com medos extremamente profundos da mente humana como medo do escuro, claustrofobia e hipocondria. Não há como não destacar a interpretação fabulosa de Jennifer Carpenter, que já havia me impressionado em “O Exorcismo de Emily Rose” (The Exorcism of Emily Rose, 2005). Essa garota certamente ainda não recebeu os méritos merecidos pelas suas atuações assombrosas.
Ouvi algumas pessoas falarem que a história do filme é ridícula. Acho incrível isso, pois não há nada mais lógico e óbvio do que os acontecimentos que se passam nesse longa metragem. É claro, se trata de um filme americano, existem exageros estéticos, mas nada disso compromete o nível de tensão muscular que esse filme leva a quem está assistindo. Vi alguns saírem do cinema no meio da exibição, e tenham certeza, não foi por tédio.
Para que ainda não viu, um conselho: pesquise um pouco sobre o vírus da raiva e epidemias, antes de assistir o filme. Assim você não será arrogante o bastante para achar que tudo o que existe se resume no que nós vemos na nossa vida enclausurada de cidade grande. A história desse filme não é ridícula, mas de certa forma, mostra o quando nós podemos ser ridículos.
Angela Vidal, uma repórter aparentemente inexperiente e o cinegrafista de um programa de TV passam uma noite em uma sede do corpo de bombeiros. Depois de se enturmar com alguns dos bombeiros, jogar basquete, fazer apostas noite adentro e ouvir cantadas baratas, Angela começa a sentir tédio e demonstra certa frustração por não haver ação para mostrar ao seu público. Quando finalmente ocorre uma chamada, ela e o cinegrafista partem junto com o carro de bombeiros para checar a ocorrência, que segundo os próprios bombeiros, deveria ser alguma chamada médica. A partir daí, o filme brinda o telespectador com uma viagem ao terror profundo, como poucas vezes foram vistas no cinema.
Refilmagem do longa espanhol “REC” (2007), “Quarentena” é uma mistura da “Bruxa de Blair” (The Blair Witch Project, 1999) com “Epidemia” (Outbreak, 1995).
O filme é assustador por possuir uma história completamente plausível. Mexe com medos extremamente profundos da mente humana como medo do escuro, claustrofobia e hipocondria. Não há como não destacar a interpretação fabulosa de Jennifer Carpenter, que já havia me impressionado em “O Exorcismo de Emily Rose” (The Exorcism of Emily Rose, 2005). Essa garota certamente ainda não recebeu os méritos merecidos pelas suas atuações assombrosas.
Ouvi algumas pessoas falarem que a história do filme é ridícula. Acho incrível isso, pois não há nada mais lógico e óbvio do que os acontecimentos que se passam nesse longa metragem. É claro, se trata de um filme americano, existem exageros estéticos, mas nada disso compromete o nível de tensão muscular que esse filme leva a quem está assistindo. Vi alguns saírem do cinema no meio da exibição, e tenham certeza, não foi por tédio.
Para que ainda não viu, um conselho: pesquise um pouco sobre o vírus da raiva e epidemias, antes de assistir o filme. Assim você não será arrogante o bastante para achar que tudo o que existe se resume no que nós vemos na nossa vida enclausurada de cidade grande. A história desse filme não é ridícula, mas de certa forma, mostra o quando nós podemos ser ridículos.
Texto de
Angelo
27 Novembro 2008
Uma taça de vinho e o nariz empinado de Paula
Quando ela dorme, eu olho e fico imaginando qual o roteiro estará sendo utilizado para conduzir aquele sonho que se desenrola naquele momento. É bom observar aqueles olhos enormes que, quando abertos, ora são imensamente maliciosos, ora são infantis.
Quando ela acorda, se espreguiça igual a um gato, demora para se situar onde está e demora mais ainda para encorajar-se a levantar. E esse é um dos momentos mais deliciosos porque é onde o seu cheiro infantil e ao mesmo tempo erótico marca enorme presença.
Quando ela demora em finalizar os trabalhos de design mais simples ou para montar um roteiro fotográfico, percebo o talento e a sofisticação do seu olhar diante da suposta realidade; a demora é um cuidado para encontrar a melhor forma de realizar.
Quando ela se revolta com as artimanhas do mercado capitalista do mundo, inicialmente eu penso que ela é ingênua, mas logo depois percebo que é o seu caráter inquestionável sentindo dificuldades em suportar as coisas que os “não ingênuos” consideram padrões comportamentais.
Quando ela julga algo ser belo, eu normalmente concordo de imediato, porque ela própria é feita de uma beleza desconcertante, principalmente sendo observada em detalhes.
Quando ela chora, é momento que eu tenho total consciência de quanto a amo, porque é o esse amor bilateral que traz o seu sorriso de volta.
Quando ela fala sobre a nossa história cheia de inacreditáveis coincidências, eu descanso em paz no seu colo macio. E nesse momento eu posso morrer ali porque, seja lá para onde eu fosse, chegaria sorrindo.
Gostaria que a minha vida se resumisse em uma taça de vinho e o nariz empinado de Paula.
Quando ela acorda, se espreguiça igual a um gato, demora para se situar onde está e demora mais ainda para encorajar-se a levantar. E esse é um dos momentos mais deliciosos porque é onde o seu cheiro infantil e ao mesmo tempo erótico marca enorme presença.
Quando ela demora em finalizar os trabalhos de design mais simples ou para montar um roteiro fotográfico, percebo o talento e a sofisticação do seu olhar diante da suposta realidade; a demora é um cuidado para encontrar a melhor forma de realizar.
Quando ela se revolta com as artimanhas do mercado capitalista do mundo, inicialmente eu penso que ela é ingênua, mas logo depois percebo que é o seu caráter inquestionável sentindo dificuldades em suportar as coisas que os “não ingênuos” consideram padrões comportamentais.
Quando ela julga algo ser belo, eu normalmente concordo de imediato, porque ela própria é feita de uma beleza desconcertante, principalmente sendo observada em detalhes.
Quando ela chora, é momento que eu tenho total consciência de quanto a amo, porque é o esse amor bilateral que traz o seu sorriso de volta.
Quando ela fala sobre a nossa história cheia de inacreditáveis coincidências, eu descanso em paz no seu colo macio. E nesse momento eu posso morrer ali porque, seja lá para onde eu fosse, chegaria sorrindo.
Gostaria que a minha vida se resumisse em uma taça de vinho e o nariz empinado de Paula.
Texto de
Angelo
08 Novembro 2008
Areia e Vento
A sociedade do cérebro me parece ser a que mais se aproxima da perfeição. Se existem regras nela, ninguém ainda conseguiu interpretar e as verdades se mantêm individuais; assim é a pureza. E para se preservar tal pureza é necessário que certas descobertas nunca sejam feitas, nem mesmo especuladas... especulação alcança, no máximo, o status de opinião.
Entende? É óbvio demais que “óbvio” é a vulgaridade lingüística que traduz opinião. A realidade do dia, mês, minuto, segundo ou ano, nada mais é do que a opinião de alguém(s).
Entende? É óbvio demais que “óbvio” é a vulgaridade lingüística que traduz opinião. A realidade do dia, mês, minuto, segundo ou ano, nada mais é do que a opinião de alguém(s).
Texto de
Angelo
07 Outubro 2008
Náufragos
Em tese (tese particular): realizar é colocar a sua assinatura no mundo. Não necessariamente significa a prova que você existe ou existiu, para isso existe CPF e RG; mas sim que a sua existência não passou em branco, você serviu para algo. A realização pode não ter tido resultados financeiros, o que não diminui a importância da mesma.
Algo foi feito e alguém gostou. E foi você quem fez. Alguém melhorou – ou piorou – na vida por sua causa, saiu da inércia. Valeu a pena.
E para quem melhorou, o mérito é seu. Para quem piorou, o mérito também é seu, porque afundar inerte é opcional.
Todos os náufragos que eu conheci na vida afundaram porque ficaram inertes. E até hoje, não perceberam que morreram.
Texto de
Angelo
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